Dentro da visão iorubá, Onilé é considerado a primeiro Orixá. Ele é a divindade que representa a base de toda a vida, a Terra-Mãe, tanto na vida quanto na morte, considerada a base de toda a vida, tanto no mundo dos vivos como no reino dos ancestrais. Ela é reverenciada como a Senhora da Terra, o lugar onde repousam os espíritos dos antepassados e egunguns, simbolizando o princípio coletivo que sustenta a vida e os rituais nos terreiros.
De acordo com a mitologia, quando Olórun distribuiu os poderes da criação entre os orixás, Onilé, uma filha sua, escondeu-se sob a terra, conquistando assim autoridade sobre ela. Por isso, em todos os sacrifícios de sangue, a primeira porção é derramada diretamente sobre a terra, reconhecendo que tudo nela tem origem e nela retorna.
Cultuada especialmente em terreiros como a grande mãe da ecologia e defensora do meio ambiente, Onilé é associada à preservação da vida e da natureza, tendo papel fundamental na cosmologia e espiritualidade iorubás.
Ela é conhecida por diversos nomes e variações regionais, tais como Aiê, Ilé, Ialé, Ije, Ale, Ala, Aná, Ogerê e Buku. Nas tradições dos jejes do Maranhão e Bahia, também é chamada de Aisã.
As saudações tradicionais a Onilé são expressões de reverência e gratidão, como:
Ìbá rè Òrìṣà, Ìbá Onílè, Onílè mo júbà awo
“Sua bênção, Orixá, a bênção, Senhor da Terra, Senhor, eu me inclino diante de você.”
Ìbá àgbà, Ìbá ọmọ, Ìbá àjè Onílè
“Bênçãos aos antigos, às crianças, à riqueza da Terra”
Onílè bàré, Onílè mówù
“Terra, receba nossa reverência, Terra, nos ouça”
Ìyá Onilé, Olórun Ilé ayé, mo júbà awo
“Mãe Terra, Criadora do mundo material, meus respeitos.”
Essa devoção a Onilé inclui ainda um compromisso com a proteção da natureza, refletindo a visão de que a terra é a base indispensável para toda a existência.
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