Racismo religioso: Estudo inédito revela dados alarmantes

Mãe Nilce de Iansã, coordenadora da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), apresentou em Genebra, durante o 60º aniversário do ICERD da ONU, a segunda edição da pesquisa “Respeite o meu Terreiro – Racismo religioso contra religiões de matriz africana no Brasil”. O estudo, feito com 511 terreiros em parceria com o Ministério de Direitos Humanos, Unirio, Defensoria Pública da União e Instituto Raça e Igualdade, mostra a gravidade do racismo religioso no país.

Os dados revelam que 80% dos integrantes de terreiros já sofreram racismo, com 77% relatando discriminação direta e 74% enfrentando ameaças ou ataques. A violência ocorre não só nos terreiros, mas também no trabalho, escola, comércio, família e ambientes digitais, onde 52% sofreram ataques online, principalmente em lives e eventos virtuais. A maioria dos agressores são evangélicos neopentecostais, evidenciando um padrão estrutural de intolerância.

Apesar da dimensão do problema, apenas 26% dos casos são registrados oficialmente, mostrando falhas na denúncia. Mãe Nilce destaca que a pesquisa é uma ferramenta importante para mobilizar políticas públicas efetivas e reforça a necessidade de respeito e proteção às religiões de matriz africana.

A primeira edição da pesquisa já contribuiu para incluir o racismo religioso no relatório final do Comitê da ONU em 2022, marcando avanços na visibilidade e na luta contra essa forma de discriminação no Brasil.

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