Avanço da intolerância religiosa exige união das religiões de matriz africana

Avanço da intolerância religiosa exige união das religiões de matriz africana e presença estratégica nos espaços públicos e políticos

Os casos de intolerância religiosa no Brasil não apenas crescem — eles se tornam cada vez mais violentos e estruturados. Dados do Ministério dos Direitos Humanos apontam que as denúncias de discriminação religiosa vêm subindo ano após ano, com as religiões de matriz africana concentrando a maior parte das vítimas.

Terreiros incendiados, sacerdotes ameaçados, símbolos sagrados destruídos e ataques verbais se somam a um cenário que deixa claro: a liberdade religiosa segue em risco, apesar de ser um direito constitucionalmente assegurado.

Diante desse quadro, é inevitável reconhecer que as tradições afro-brasileiras precisam fortalecer sua articulação interna e intensificar sua presença nos espaços de tomada de decisão.

A união entre casas de axé não é apenas um gesto simbólico — é uma estratégia de sobrevivência e afirmação identitária. Quanto mais conectadas, organizadas e visíveis estiverem, maior será a capacidade de enfrentar discursos de ódio, mobilizar a sociedade e influenciar políticas públicas.

Ocupar espaços públicos e, sobretudo, espaços políticos, torna-se uma ação urgente.

Participar de conselhos municipais de cultura e igualdade racial, integrar coletivos de resistência, marcar presença em audiências públicas e apoiar candidaturas comprometidas com a diversidade religiosa são iniciativas que fazem diferença prática.

É nesses ambientes que se discutem protocolos de proteção aos terreiros, medidas de enfrentamento ao extremismo religioso e ações educativas para combater o preconceito desde a base.

Mas nada disso avança sem a cobrança firme sobre o Estado brasileiro. É papel dos entes públicos fiscalizar, investigar e punir com rigor os crimes motivados por intolerância.

A impunidade alimenta a violência, enquanto a atuação efetiva das autoridades cria barreiras reais contra agressores e extremistas.

A sociedade e especialmente os praticantes das religiões afro-brasileiras deve exigir que delegacias especializadas funcionem plenamente, que o Ministério Público atue com celeridade e que programas de proteção cultural incluam de forma prioritária os terreiros.

A intolerância religiosa não é um problema isolado: ela é sintoma de racismo estrutural, colonialismo persistente e desconhecimento histórico. Por isso, o combate a esse fenômeno exige articulação política, presença ativa nos debates públicos e união entre as casas de axé.

Somente assim será possível construir uma barreira sólida contra o preconceito e afirmar, com legitimidade e força, a importância das religiões de matriz africana na formação cultural, espiritual e democrática do Brasil.

Claudio Roberto Palermo

Comentarios em “Avanço da intolerância religiosa exige união das religiões de matriz africana”

  1. Fato.
    Precisamos além da vigilância, operacionalizar de forma pró ativa, ações e legitimamente usar dos recursos constitucionais, de forma coletiva, propositiva e positiva, e mobilizar os ditos mandatos e mandatários “eleitos pelo povo” para cumprirem seus papéis ao todo do coletivo de brasileiros(as) de diversidade religiosa, cultural, social de tradições, e usos e costumes com base e essência nos “Povos Originários”, Seus descendentes, e a miscigenação na ordem e tradição formadora ancestral, da memória material e imaterial de nosso povo neste País.
    Falta em muitos o humanismo, e realidade da universalidade e diversidade da própria existência humana, crendo ou não, no fator da Espiritualidade e “Um só e mesmo Criador – Deus” como fonte da Vida em todas suas formas e expressões de existência de fato de ser.

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