A vereadora Najara explicou que criou o fórum, que atraiu 200 participantes, para ouvir as necessidades de pais e mães de santo que enfrentam isolamento devido ao preconceito.
A vereadora Professora Najara Costa (PCdoB) promoveu em 12 de novembro uma reunião na Câmara Municipal de Taboão da Serra com líderes e fiéis da umbanda e candomblé, reunindo cerca de 200 pessoas. A 1ª Plenária de Povos Tradicionais e Comunidades de Matriz Africana enfocou denúncias contra o racismo religioso e a intolerância praticada por alguns vereadores, além de defender o direito dos praticantes a viverem com dignidade.
Diversas lideranças religiosas discursaram, como o pai de santo Odesi, que criticou a ausência dos parlamentares, e a mãe de santo Débora D’Osun, que apontou a invisibilidade e perseguição que os praticantes enfrentam, pedindo igualdade de direitos e reconhecimento cultural dessas religiões na cidade. A advogada Ariele Campos destacou o aumento da representatividade e a importância de apoiar candidatos que respeitem o povo de matriz africana, que representa 2,24% da população local (Censo 2022).
Julia Monteiro, da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, criticou o uso religioso e político da Bíblia para justificar o racismo e pediu a inclusão plena da cultura afro nas escolas, conforme a lei 10.639/2003. A Secretaria de Direitos Humanos manifestou compromisso em fortalecer a coordenação das religiões e apoiar demandas do segmento. A mãe de santo Cris de Ogum convocou apoio para ampliar recursos culturais via leis de auxílio.
Especialistas apontaram a necessidade de combater o racismo desde a escola, propondo um conselho escolar para discutir igualdade racial, inspirado na Comissão OAB Vai à Escola. Najara destacou que criou o fórum para ouvir as lideranças das religiões de matriz africana e anunciou a intenção de protocolar projeto para criar o Conselho Municipal dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, reforçando que a luta é pelo direito de existir com dignidade.
Foi entregue o título de “Cidadão Taboanense” ao pai de santo Rodrigo Fujimoto como reconhecimento da importância do “povo de axé”. Bárbara de Oyá, ativista pelo tombamento da primeira casa de candomblé da cidade, ressaltou que falar abertamente sobre a fé é uma conquista, apesar das tentativas de ataque e preconceito ainda existentes, e afirmou a continuidade da resistência da comunidade.

